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A Via-Crúcis de Cícero: nenhuma eleição foi tão desigual quanto a de 2026 na Paraíba

Já escrevi por aqui: jamais vi uma campanha eleitoral tão marcada pela desigualdade de condições e pelo uso ostensivo e escancarado do poder político e, sobretudo, econômico quanto a de 2026, tanto para o Senado como para o governo do estado.

Desde que anunciou a candidatura ao governo, Cícero Lucena viu surgir em seu caminho uma sucessão de obstáculos capaz de arrefecer o ânimo de qualquer um. Não o do caboquinho.

Primeiro, vieram os ataques recorrentes de setores da imprensa a uma suposta “incoerência” de Cícero. Esses setores (os de sempre, os que servem aos interesses de qualquer governador) só viam como legítima a candidatura do praticamente estreante Lucas Ribeiro e fechavam os olhos para o direito de Cícero, assegurado pela Constituição, e para a sua longa trajetória política, marcada por quatro mandatos (repito, quatro) como prefeito da maior cidade do estado. Ora, se havia alguém com legitimidade para disputar o governo da Paraíba em 2026, essa pessoa se chama Cícero Lucena.

Depois, vieram os pedidos de impugnação do registro de candidatura, feitos sem que houvesse condenação, apenas investigações em curso. Quantos erros judiciais já foram cometidos contra políticos, que vivem de imagem pessoal, em nome de interesses inconfessáveis? O próprio Cícero já foi vítima disso.

Como lembrei no caso de Janine Lucena, impedir alguém de disputar uma eleição sem condenação é desprezar a presunção de inocência e antecipar uma condenação. Tanto a filha de Cícero quanto o próprio Cícero têm direitos políticos a serem respeitados.

Embora eu creia não haver intenção deliberada, um pedido de impugnação nos termos em que foi apresentado acaba se convertendo em benefício eleitoral para os adversários de Cícero Lucena, ou de qualquer outro candidato que seja alvo dele.

Pior ainda: o TSE deixou para julgar o pedido às vésperas da eleição, desconsiderando os direitos políticos de Cícero, que estão em pleno vigor, e também os meses de campanha, os gastos (feitos com recursos públicos, lembremos), os esforços e a atenção do eleitor.

O que impuseram ao caboquinho nesta campanha foi uma verdadeira via-crúcis. Cícero, porém, manteve-se firme, disposto, alegre e confiante. Apesar de todas as desigualdades apontadas, o pedido de vista no TSE permitiu que a eleição se realizasse sem a impressão de que o que assistimos na Paraíba foi um jogo de cartas marcadas.

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