Ir para o conteudo
Sem categoria

Hervázio Bezerra diz que o projeto de reeleição de Leo está em gestação

O deputado estadual Hervázio Bezerra (MDB), pai do prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSDB), admitiu, ontem, numa entrevista à rádio Arapuan, que o projeto de candidatura do seu filho à reeleição, em 2028, está sendo gestado sem pressa ou açodamento, de forma estratégica e condicionado a desdobramentos que a conjuntura estadual terá depois das eleições deste ano.

O deputado indicou que não há atropelo, lembrando que está em curso um processo eleitoral acirrado, para o governo do Estado e outros mandatos eletivos, que mobiliza a classe política como um todo e segmentos da opinião pública.

Por outro lado, Leo assumiu a titularidade da gestão há pouco tempo (mais precisamente em abril, com a renúncia de Cícero Lucena para disputar o governo) e tem procurado priorizar a solução de demandas administrativas urgentes, sem perder de vista o engajamento à campanha do ex-prefeito da Capital.

Esse cronograma não impede, na análise do deputado Hervázio Bezerra, que o filho prefeito seja abordado por lideranças políticas sobre planos para o futuro à vista.

Deixou claro, também, que Leo não “escolhe adversários” que possa vir a enfrentar nas urnas como candidato titular, fiando-se nos resultados que possa apresentar à frente da gestão pessoense que está empalmando.

É claro que uma vitória de Cícero Lucena ao Executivo estadual possibilitará a Leo Bezerra a retomada de uma bem-sucedida parceria que foi mantida quando eles dividiram de forma colegiada responsabilidades no âmbito municipal.

Essa parceria se estendeu ao governo do Estado, quando João Azevêdo ocupava o Palácio da Redenção, mas sofreu diminuição de ritmo a partir do momento em que Cícero Lucena rompeu com o PP e com João por este ter preferido apoiar a candidatura de Lucas Ribeiro (PP) à sucessão.

Não obstante, Leo não tem se queixado de maiores óbices para administrar a Capital, apegado que demonstra a um estilo espartano e a um planejamento realista de acordo com a configuração orçamentária dos recursos municipais, vítimas de crises históricas e de embates permanentes quanto à transferência de recursos pela União.

Desde que sentou na cadeira de prefeito, Leo Bezerra investiu na ampla articulação com segmentos organizados da sociedade e com representantes do povo nas diversas esferas de poder, a começar pela Câmara de Vereadores de João Pessoa, passando por deputados federais, estaduais e senadores.

Condicionou seu voto a uma das vagas ao Senado ao compromisso do candidato com as pautas de interesse da população de João Pessoa e impôs estilo independente, que já o levou ao distanciamento com o ex-governador João Azevêdo (PSB), patrono da sua indicação, por duas vezes consecutivas, para a vice de Cícero Lucena, num tempo em que todos estavam juntos e misturados.

João quebrou lanças dentro do próprio PSB para impor o nome de Leo, diante de outras pretensões agitadas – inclusive de candidaturas próprias à prefeitura em oposição a Cícero. Mas os desígnios e ambições do jogo político afastaram antigos aliados, impondo uma nova recomposição do cenário eleitoral dentro do maior colégio do Estado da Paraíba.

Leo Bezerra, a par da seriedade com que se comporta na abordagem dos problemas da Capital paraibana, vai forjando as bases da liderança natural de um grupo que se prepara para buscar novos alinhamentos, atento à dinâmica do jogo e ao movimento dos atuais atores que compõem a estrutura de poder no Estado.

O compromisso de apoio de Leo Bezerra à candidatura de Cícero Lucena não imobilizou o novo prefeito no seguimento das suas próprias táticas para cravar identidade na correlação de forças paraibanas, valendo-se do protagonismo que a edilidade pessoense lhe confere e das oportunidades inúmeras que se descortinam para inovar no modo de gestão e acelerar projetos e medidas que contribuam para alavancar o desenvolvimento da região metropolitana enfeixada pela Capital.

O prefeito, por sua vez, é flexível na interlocução, inclusive, com adversários políticos, desde que considere o diálogo indispensável para favorecer os interesses da população pessoense.

Encerrada a campanha eleitoral, ele sabe que estará no foco das especulações e terá que se munir de muita habilidade política para superar obstáculos que poderão surpreendê-lo no meio da trajetória a ser percorrida.

A política – ele tem consciência disso – é suscetível a mudanças bruscas de humores que tornam atual o provérbio das raposas mineiras de que se compara a um nuvem – numa hora, está de um jeito, em outra hora está de outro jeito.

Leo é um quadro ponto para ser lapidado – mas muito desse processo de lapidação dependerá da sua capacidade concreta de atravessar incólume as armadilhas do jogo político, algumas das quais já o atingiram em pleno processo de ascensão a um cargo executivo de valiosa importância na geografia do poder da Paraíba.

A prefeitura de João Pessoa já foi chamada de “cemitério de prefeitos” porque era o fim da carreira para ocupantes do cargo, mas o tabu foi quebrado com a reeleição de prefeitos como Cícero Lucena, Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo.

Sob todos os pontos de vista, o futuro político de Leo é uma incógnita.

Por Nonato Guedes

Leia tambem