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Saúde

Lentes de contato modernas transformam a correção da visão

Décadas atrás, receber o diagnóstico de astigmatismo, miopia ou hipermetropia na infância era estar predestinado a usar óculos pelo resto da vida. Para o paciente com um grau muito alto, a opção eram os chamados óculos fundo de garrafa, pesados e com lentes espessas que distorciam a estética dos olhos. Embora as lentes de contato já existissem, seu material rígido e desconfortável tornava a adaptação extremamente difícil, mesmo para os adultos.
Os avanços tecnológicos na oftalmologia transformaram radicalmente a correção da visão, proporcionando mais comodidade, praticidade e eficiência nos tratamentos. Os óculos ganharam versões mais leves e resistentes, enquanto as lentes de contato passaram por uma evolução ainda mais radical, com modelos de silicone hidrogel que possibilitam a passagem do oxigênio para o olho e opções descartáveis que reduzem drasticamente o risco de infecções.
“As lentes de contato são uma escolha cada vez mais acessível e confortável para corrigir erros de refração, seja em substituição aos óculos ou para alternar o uso no dia a dia. Com tecnologias modernas e de alta precisão, as novas gerações de lentes são aliadas no tratamento de diversas condições oculares, oferecendo praticidade e liberdade de movimento”, afirma a Dra. Natália Regnis, oftalmologista do HOPE, Hospital de Olhos de Pernambuco.
Uma opção para cada necessidade
De acordo com a médica, existem opções de lentes para diferentes perfis e diagnósticos:

  • Lentes Gelatinosas – Feitas com materiais flexíveis e alto teor de água, são as mais populares devido ao conforto imediato. Podem ter diferentes finalidades:
    • Esféricas: Corrigem miopia (dificuldade para enxergar de longe) e hipermetropia (dificuldade de perto).
    • Tóricas: Desenvolvidas para corrigir o astigmatismo, garantindo foco estável.
    • Multifocais: Indicadas para a presbiopia (“vista cansada”), comum após os 40 anos, permitindo foco para perto, meia distância e longe.
    • Coloridas: Disponíveis com ou sem grau, são utilizadas para fins estéticos ou para mudar a cor dos olhos.
  • Lentes Rígidas Gás-Permeáveis (RGP) – Mais resistentes, oferecem nitidez superior em casos de astigmatismos elevados ou alterações na curvatura da córnea, como o ceratocone.
  • Lentes Esclerais – Com diâmetro maior, apoiam-se na parte branca do olho sem tocar diretamente na córnea. Criam um reservatório líquido que traz alívio a pacientes com olho seco severo ou deformidades corneanas complexas.

A oftalmologista chama a atenção para os cuidados que devem ser adotados durante o uso das lentes:

  • Higiene – Higienize e seque bem as mãos antes de tocar nos olhos ou no produto.
  • Produtos corretos – Utilize apenas soluções higienizadoras específicas. Água da torneira, soro fisiológico ou saliva nunca devem entrar em contato com as lentes.
  • Estojo limpo – Lave o recipiente com a própria solução para lentes e troque o estojo a cada dois ou três meses.
  • Evite água – Não tome banho de chuveiro, piscina, mar ou rio usando as lentes. A água abriga microrganismos que podem ficar retidos entre a lente e o olho e causar infecções severas.
  • Validade – Respeitar a validade das lentes de contato, principalmente após abertas.

Também é fundamental retirar as lentes de contato antes de dormir. Durante o sono, as pálpebras fechadas reduzem a passagem de oxigênio para a córnea e o uso do dispositivo eleva o risco de infecções graves e úlceras. A Dra. Natália Regnis explica que “a única exceção é a ortoceratologia, tratamento para miopia, astigmatismo e graus leves de hipermetropia feito com lentes rígidas especiais que remodelam suavemente a superfície da córnea enquanto a pessoa dorme”.

“Projetadas para serem usadas durante à noite, essas lentes moldam temporariamente o formato da córnea e corrigem o grau. Ao acordar e remover o dispositivo, o paciente consegue ter uma visão nítida durante o dia, sem a necessidade de óculos ou lentes de contato. No entanto, para manter os resultados é necessário repetir o uso todas as noites”, complementa a médica.
Vale lembrar que, seja para corrigir erros refrativos ou para fins estéticos, toda lente de contato tem prazo de validade e deve ser descartada após o vencimento. A durabilidade pode ser diária, quinzenal, mensal ou anual e o prazo começa a contar a partir do momento em que o lacre é rompido. Já o conteúdo que permanece fechado terá sua validade vencida na data informada pelo fabricante na embalagem ou blister. A conscientização sobre o uso correto, saudável e seguro é reforçada este mês pela campanha Setembro Safira.

 

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